Todos os sábados à noite, a Avenida Brasília, em frente ao número 1888, em Santa Luzia, recebe dezenas de pessoas para um encontro que já faz parte da história cultural da cidade. O local, conhecido como Esquinão do Soul, reúne admiradores da soul music em uma tradição que atravessa gerações e se consolidou como um dos principais movimentos culturais do município.
À frente dessa iniciativa está Dom Ronaldo Black, considerado uma das maiores referências da cultura negra em Santa Luzia. Dançarino profissional, professor de soul music, agente cultural e agitador da cena artística, ele fundou o Esquinão do Soul há 23 anos e, desde então, mantém vivo um espaço dedicado à valorização da música, da dança e da identidade negra.
Com uma trajetória artística que ultrapassa 54 anos, iniciada ainda na década de 1960, Dom Ronaldo Black construiu uma carreira marcada pela resistência cultural e pela preservação da soul music. Seu trabalho fez do Esquinão do Soul muito mais do que um ponto de encontro: o movimento de rua tornou-se uma referência cultural reconhecida pela comunidade, atraindo frequentadores de Santa Luzia e de diversas cidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Ao lado do parceiro DJ Jair, Ronaldo Black promove semanalmente uma verdadeira celebração da música negra. Ao som de clássicos da soul music, a calçada se transforma em uma pista de dança, onde os tradicionais passinhos encantam moradores e visitantes, preservando um estilo que marcou gerações e continua conquistando novos adeptos.
Ao longo de sua carreira, Dom Ronaldo Black também acumulou importantes parcerias e homenagens ao lado de grandes nomes da música nacional e internacional, entre eles Gerson King Combo, referência da black music brasileira, Afrika Bambaataa, um dos pioneiros da cultura hip-hop mundial, e o ator, cantor e compositor Sérgio Loroza.
Reconhecido por sua contribuição à cultura, Dom Ronaldo Black tornou-se uma verdadeira lenda viva da soul music em Minas Gerais. O Esquinão do Soul, criado por ele, segue como símbolo de resistência, valorização da cultura afro-brasileira e preservação de uma tradição que, há mais de duas décadas, movimenta as noites de sábado em Santa Luzia, mantendo acesa a paixão pela música negra e reunindo pessoas de diferentes idades em torno da dança, da amizade e da cultura.








