Moradora de Santa Luzia há 34 anos, Dona Helena, hoje com 80 anos, mantém viva uma tradição que atravessa gerações. Conhecida por receber moradores de Santa Luzia e visitantes em sua casa, no bairro Bonanza, ela continua dedicada à missão de benzer quem busca alívio para problemas físicos, emocionais e espirituais, sem cobrar absolutamente nada pelo atendimento.
A benzedeira afirma que pretende seguir com esse trabalho pelo resto da vida.
“Só vou parar no dia que eu morrer. Benzo desde os 10 anos de idade. Aprendi com meu avô, que era um benzedor nato e sempre me dizia: ‘Para ser um benzedor é preciso desenvolver um grande ato de amor pelas pessoas, desejando que elas se curem.'”
O atendimento acontece diariamente, das 13h às 17h, mas Dona Helena garante que dificilmente deixa alguém sem atendimento.
“Se chegar alguém um pouquinho mais tarde também, eu não dispenso.”
Segundo ela, a benzeção vai muito além da repetição de orações decoradas. Para Dona Helena, a fé, a sensibilidade e a intuição têm papel fundamental durante cada atendimento.
“A pessoa para benzer não tem que ter uma oração específica. Até existe, mas muitas vezes a intuição te leva para outra fala. Você vai benzer, mas o teu pensamento te leva a pensar outras coisas positivas para aquela pessoa, porque ela precisa naquele momento.”
Nas mãos, ela costuma segurar um ramo durante os atendimentos. Segundo explica, ele funciona como uma forma de proteção espiritual.
“É para me proteger, caso a pessoa esteja com energia negativa. O ramo não deixa passar para mim.”
Uma história construída em Santa Luzia
Mãe de quatro filhos, avó de cinco netos e bisavó, Dona Helena comprou a casa onde vive em 1981, mas se mudou definitivamente para Santa Luzia em 1992, cidade onde construiu sua história e se tornou uma das benzedeiras mais conhecidas da região.
Viúva há 37 anos, ela acompanha de perto as transformações do município ao longo de mais de três décadas. Apesar de reconhecer o crescimento populacional, acredita que Santa Luzia ainda precisa avançar em diversas áreas.
Na entrevista concedida em 2018, Dona Helena também recordou com carinho a amizade que mantinha com o ex-prefeito Carlos Calixto, destacando as obras e o desenvolvimento promovidos durante sua administração.
“Quando cheguei aqui, não tinha nada. Vários governantes passaram, mas vi a cidade progredir foi com o Calixto, que era muito inteligente, tinha boas ideias, homem de visão.”
Ela também manifestou o desejo de ver Santa Luzia voltar a crescer, especialmente na valorização da Parte Alta da cidade e no incentivo ao turismo.
Atendimento
Além da benzeção, realizada gratuitamente, Dona Helena também oferece atendimento para quem deseja consultar as cartas, serviço realizado mediante agendamento e cobrança de uma taxa.
Os atendimentos acontecem na Rua Ceará, nº 190, bairro Bonanza, na Parte Alta de Santa Luzia.
Ao longo de mais de 70 anos dedicados à benzeção, Dona Helena tornou-se uma referência para centenas de famílias, preservando uma tradição popular baseada na fé, na solidariedade e no cuidado com o próximo.










